quarta-feira, 27 de março de 2013

Atividade em composteira- exemplo da ação realizada em conjunto com a municipalidade..

Existem várias maneiras de se fazer a compostagem dos resíduos orgânicos domésticos e sem muita dificuldade. Diferente do que se pensa, quando bem feita e com boa parcela de precaução, a compostagem pode ser realizada até dentro de nossas casas- para pessoas que não dispõem de espaço-.
Em parceria com o município, realizamos em 2011, uma série de atividades de conscientização nas escolas municipais, onde a compostagem foi preparada em tambores metálicos com capacidade de 200 litros e com tampa removível. Nesse sistema, a compostagem acontece de forma rápida, havendo a necessidade de revolvimento da matéria orgânica compostada com frequência. A quantidade de resíduos compostado gera boa perceptividade da ação de biológica através da presença de decompositores e da elevação da temperatura.
Nessa ação, foram utilizadas as sobras da preparação de alimentos da cozinha associada à adição de folhas secas, resíduos de apontadores de lápis e folhas de papel. Como inoculante, foi utilizado esterco bovino, o que não é necessário, apenas utilizado para a maior propagação dos microrganismos. 
Através de uma torneira, adaptada na base do tambor, é possível coletar e visualizar o processo de produção de chorume, o que ocorre logo na segunda semana após a preparação do composto. Uma vez recolhido e demonstrado às crianças, aconselha-se a adição de material seco para reduzir o excesso de umidade. A ação da água em contado com o oxigênio acaba por acelerar o processo de oxidação do metal, gera odores durante o processo de revolvimento do composto e uma aparência repulsiva. Isso tudo não afetou o resultado das nossas atividades, mas havendo o controle possibilita uma melhor apresentação das atividades e durabilidade da nossa composteira.  
 O processo de montagem do composto ocorre em camadas, inicialmente com uma camada de material seco- folhas-  em uma camada de 15 cm aproximadamente. Em seguida, é adicionado o resíduo verde, em camada de 5 cm aproximadamente, espalhada ao centro da forração seca, sobre a matéria verde foram adicionados os papeis e aparas de lápis.
Nota: Aparas de lápis e papeis são opcionais, sendo utilizado em nossas atividades por critério da coordenação. Importante ressaltar que, o papel tem destino certo na cadeia de reciclagem e as aparas de lápis são compostas por materiais inorgânicos, como a tinta da madeira, a ponta e alguns ainda, fabricados por materiais plásticos. No nosso caso foi utilizado com alternativa de recuperação do resíduo.
Terminada a forração, é adicionada uma camada de cerca de 2 cm de esterco bovino. Uma vez acabado o processo, inicia-se novamente a construção de uma nova sequência, nas mesmas proporções, consecutivamente, até o término do material. A última camada deve ser a cobertura seca, o que serve de abafamento dos odores e de isolamento contra moscas.
 Uma vez montada a compostagem, o tambor é fechado e fica em repouso, a borracha existente na borda da tampa é retirada, favorecendo a entrada de oxigênio no recipiente
Uma vez por dia, pode-se levar os alunos para acompanhar o processo de transformação da matéria orgânica em adubo. Em nossa atividade, após o terceiro dia, observou-se um significativo aumento da Temperatura. Através da utilização de um termômetro digital com vara, fez-se a comparação da elevação da temperatura. Mede-se primeiro a temperatura ambiente- a que sentimos na pele, sem a introdução da haste metálica no composto. Anota-se em uma ficha- Modelo demonstrado logo mais em postagem próxima- logo depois, faz-se três medições no composto.
 A primeira medição se faz parte superior do composto, geralmente, local de maior concentração de oxigênio e menor concentração de umidade, faz-se a leitura e anota-se- Geralmente, é a temperatura intermediária devido ao desequilíbrio umidade X oxigênio. A segunda leitura é feita introduzindo a haste até o meio do tambor- essa é, geralmente, a temperatura mais alta, pois existe um equilíbrio no teor de umidade e aeração. Anota-se a leitura. A terceira medição é realizada na parte mais profunda do composto, geralmente à 2 ou 3 cm do fundo. Essa será, sem dúvidas, a temperatura menor, devido a grande quantidade de umidade e a diminuta existência de aeração.
 O processo de degradação por microrganismos resulta, em meio aeróbico (Presença de oxigênio), em vapor de água e CO². A ação digestiva gera calor, que nada mais é que a liberação da energia utilizada na alimentação. O vapor de água condensa na tampa do tambor, o que é visível na abertura do composto, sendo possível demonstrar a ação das águas em seus ciclos naturais. A visualização também favorece a compreensão das ocorrências nocivas assistidas em uma área de disposição final de resíduos, toda ocorrência assistida no tambor ocorre em aterros sanitários e lixões.
 A compostagem deve ser uma atividade sem imposição de conteúdos didáticos, as ações são visualizadas e proporcionam questionamentos. Assim como no meio natural, a compostagem nos prepara surpresas, capazes de serem exploradas no momento da visualização, nesse caso, apresentamos um fungo nascido da massa, ocorrência que pode ser visualizada nos primeiros dias do processo. É aconselhável que seja utilizada uma câmera fotográfica para o registro das ocorrências, a observação deve ser minuciosa e cada espaço é vistoriado em busca de detalhes que possam ser utilizados como forma de conscientização.  
 Aqui vemos a formação de húmus que surge da ação de minhocas. No início do processo, é possível encontrar algumas larvas e pequenos insetos. Fato normal do processo de decomposição em pequenas quantidades. Esses decompositores são logo eliminados pelo aumento da temperatura. com cuidado e boa vedação, a sua proliferação será controlada. O processo de compostagem pode durar de três à seis meses, no nosso caso, alguns processos foram terminados no período de 60 dias. No início, a temperatura cresce de forma significativa, sendo que, em 3 ou 4 dias, alcança o seu ponto mais elevado- 38 à 45 ºC.  Durante alguns dias, a temperatura se mantém, vindo a decair gradativamente. O volume diminuí conforme o processo de degradação, assim com a temperatura começa à decair. No final do processo, a massa tem uma redução de cerca de 60%- materiais não picotados- e a temperatura final chega a ser inferior à temperatura ambiente.
 A cada visita à composteira, faz-se a aferição da temperatura, a visualização do composto e as considerações cabíveis sobre os temas propostos. Ao final da discussão, realiza-se o revolvimento do composto com o auxílio de uma pequena pá ou forca. No processo de revolvimento é que observamos a necessidade de controle dos teores de umidade e aeração. Quando muito seco- após o revolvimento total- observa-se a necessidade de introdução de água ou matéria seca. O teor de umidade pode ser comparado através da observação de solos de locais arborizados e com a presença de grandes quantidades de folhas por vários períodos de tempo- Bosques- descobre-se o solo e visualiza-se as folhas que se encontram por baixo, geralmente, levemente úmidas e de forma uniforme.

A compostagem é um processo que se aprende na prática, o chorume retirado do tambor deve ser armazenado em garrafas PET e reservados até o final do processo. O período de cura é menor, geralmente quando mais exala odores. Pode ser utilizado como adubo líquido, diluído em água. No nosso caso, diluímos em proporção de um litro de chorume por cinco de água, sendo utilizado como adubo em solo e vasos.
Paz e luz à todos...