segunda-feira, 4 de março de 2013

Compostagem, materiais verdes.

Como já dissemos, a abordagem vai além da simples explicação e transmissão de dados. Conscientizar é fazer perceber, vivenciar e compreender. A visualização é um exercício de fomentação da percepção, e mais que ensinar, deve-se propiciar a participação. Que tal um exercício de estudo?
A compostagem é um processo de decomposição que ocorre de forma natural, mas controlado. É realizado através da disposição de materiais verdes, ricos em nitrogênio e materiais secos, ricos em carbono. Esses materiais são dispostos em camadas intercaladas- daí vem o nome compostagem- Uma parte de material verde para três de material seco.
Composto pronto. E. E. Profª Maria Luíza Bernardes Nory.
Para que exista a compreensão, é fundamental que exista uma participação na triagem dos materiais, onde o conscientizador possa estra demonstrando, na prática, a existência de cada material dentro da escola, sua qualidade e sua quantidade. Uma vista à cozinha da escola é uma boa opção para a demonstração prática do processo de geração de "lixo", Uma vez que se possa acompanhar o processo de preparação da refeição. A cozinha é o local onde se gera a maior quantidade de resíduo potencialmente contaminante dentro da escola. Em alguns casos, são realizadas 3 refeições diárias nas escolas, o que resulta em grande quantidade de sobras e rejeitos.
Raízes em processo de brotação. 
O Brasil tem, por cultura, um elevado índice de desperdício de alimentos. Muito dos alimentos produzidos são perdidos durante os processos de produção, de colheita, de transporte, de distribuição, de comercialização e de estocagem. Por se tratar de recurso relativamente barato, muito se perde na etapa final de destinação, ou seja... Compramos sem a consciência do desperdício. 
Bananas impróprias para a comercialização.
Além disso, nosso critério de qualificação dos alimentos vegetais é "Burro" uma vez que criamos padrões de classificação visual dos alimentos, muitas frutas, verduras e legumes são "descartados" no próprio local de produção, inviabilizados pelo tamanho, pela aparência e quase nunca pelo poder nutricional. Erramos ao qualificar o nosso alimento pelas aparências e erramos ao destinar essas sobras para o lixo "apenas" 
Aqui, nada é "lixo"
O que transforma nosso alimento em "lixo" é a nossa cultura. Cascas, folhas, sementes, bagaços, pós, brotos e outros mais, são parte integrante da nossa geladeira. A batata, por exemplo, só gera lixo ao ser descascada para a preparação. Em alguns lares, a própria casca é utilizada como fonte de alimentação, uma questão de percepção. Uma vez descascada, a parte exterior passa a ser "lixo", instantes após estar na nossa geladeira.
Resíduos em processo de compostagem em minha composteira.
Assim geramos o "líxo", que nada mais é que, resíduo da preparação de alimentos, com característica verde, rico em nutrientes como o Nitrogênio, cálcio, ferro, fósforo, zinco e outros mais. A sigla NPK existente nos adubos químicos relacionam as quantidades desses nutrientes em suas composições, os mesmos nutrientes  que são destinados aos aterros através da geração de "lixo", e que são explorados de outra maneira, muito mais depredadora, pela industria química. O que sobra nos "lixões" das cidades, falta na agricultura para a produção de alimentos. Quanto maior a variedade de alimentos adicionados à compostagem, mais rica ela será.