domingo, 2 de setembro de 2012

Folhas de varrição.

A Natureza pensou a existência de todos os seres em suas particularidades existências. Ao olharmos ao redor, percebemos que as paisagens se completam, mais do que isso, que a existência de seres distintos se encaixam em um único contexto, um conjunto com uma única unidade em seu interior, chamada de Terra.
Então, andando pelas ruas, podemos captar um pouco dessa essência natural no meio urbano. Mas para que servem as árvores existentes na cidade? Minha amiga sabe e responde.
 Ainda no contesto da percepção humana, a vegetação urbana é tão necessária para os demais aspectos que se possa pesquisar, quanto ao que me propus à descrever.
Minha esquina abriga seis árvores, sendo que cinco na lateral e uma na parte frontal do terreno, além de um arbusto- murta- que se faz presente do lado interno. Dá para imaginar o que é varrer a rua em pleno mês de agosto, em meio ao vento?
É uma maravilha... e uma tristeza. Sim, uma maravilha porque nos exercita os músculos de braços e pernas, buscando as folhas fujonas, além do contato com os amigos e o cantar dos pássaros, os quais fotografei para não dizerem que é poesia.
Mas ao observar a quantidade de folhas que caem, que são acumuladas nas sarjetas, me entristeço pelo fato de que todo o material que é disposto de forma natural para a preservação da micro-vida 
do solo e fertilização para as plantas, são retiradas e destinadas à algum local, de algum modo e com algum prejuízo ambiental.
As folhas que caem das árvores e que forram o chão são uma parcela da matéria orgânica indispensável para a saúde dos solos, ricas em fibras e carbono, esse material é varrido e ensacado, destinado às áreas de aterramento ou outras além. Só que as folhas, sendo apenas folhas, não são prejudiciais ao meio, mesmo que exista um certo acúmulo. O maior problema está na quantidade de partículas que se agregam, resultantes do atrito de materiais diversos no asfalto e nas calçadas, de despejos de óleos, graxas e outros materiais, de fumos diversos.
Se optássemos pela utilização das folhas de varrição e conservação da limpeza em projetos de compostagem, haveria grandes quantidades de áreas passivas de receber o produto final. Com isso, o potencial de poluição diminuiriam visto que o material particulado poderia ser divido entre vários nichos de ocupação e em vários locais. Isso é totalmente possível, quando posso afirmar que já existe o processo de trituração de galhos de podas urbanas para incorporar processos de compostagem. O município de Penápolis-SP já o faz, porém, ainda dispõe os rejeitos da limpeza urbana em aterro.
Mas o pior de tudo é saber que esse material, tão necessário à saúde dos solos, é desperdiçado pela falta de compreensão de que o lixo gerado por uma pessoa é completamente passivo de absorção dentro da própria residência, ou na comunidade, em forma de ação cooperada. Cerca de 52 à 54% do resíduo gerado por uma pessoa é de proveniência orgânica, cerca de 40% é reciclável nos processos industriais e artesanais, o restante, cerca de 6 à 8% é rejeito.
O maior argumento que impede a concretização de processos de gerenciamento integrado de RSU é a falta de recursos financeiros dos municípios, onde os caminhos para a solução apontam para a formação de consórcios de pequenos municípios para a obtenção destes, o que não resolverá o problema enquanto os recursos fundamentais como a educação de qualidade, fortalecimento das ações cooperadas, busca de tecnologias viáveis e condizentes com as necessidades, participação popular, vontade política e gestão compromissada com a sustentabilidade sócio-ambiental, além de outros, não estiverem disponíveis de forma funcional.
É fácil estruturar um sistema de gestão de resíduos em um município? Não é! Porém, não é possível insistir em erros que só consomem recursos financeiros, sociais e ambientais.
Minhas folhas, ao menos as que caem dentro do quintal, são utilizadas na produção de composto. As demais seguem o mesmo caminho que os demais resíduos coletados. Folhas das ruas, resíduos dos sanitários, fezes de gatos e de cães podem ser compostados da mesma forma, porém com um pouco mais de segurança,  carecendo apenas de tecnologia para que ocorra no próprio local de geração, que seja coletado o seu produto final e destinado à manutenção de áreas degradadas, APPs, praças e reflorestamentos. Pensar sustentabilidade é pensar as mudanças e os caminhos para que elas ocorram.