quinta-feira, 7 de junho de 2012

A influência das chuvas.

Como sou pequeno e limitado, gosto de direcionar meus pensamentos para as imagens, costumo buscar entender aquilo que vejo e encaixar dentro do contesto das leituras, ou vice e versa. As chuvas estão caindo e não me deixam sair de casa, grossas nuvens povoam o céu da periferia e das demais localidades, deixando cinza a paisagem e os dias preguicentos. Assim vejo a garoa fina que agora cai, formando gotículas nas folhas e flores, deixando úmido o solo e que banha as aves nos fios da rede elétrica.
Em contexto ao que digo, as águas que caem aqui, vieram de algum ponto além da minha compreensão, sob a forma de vapor, quando aquecidas pelo sol, vagaram pelos céus até serem resfriadas pelas massas mais frias, que vieram dos polos do planeta. Assim, a chuva que hoje cai aqui, pode ser proveniente dos oceanos, de rios poluídos ou de rios preservados, são águas de evaporação e transpiração de plantas e animais, são as mesmas águas de outrora...
O processo de evaporação da água permite que ela exista na atmosfera, a umidade relativa do ar tem um pouco à ver com essa evaporação. Quando sobre a terra, é solvente de matérias e materiais, assim como no céu, carrega partículas suspensas e faz a diluição de gases, incorpora e modifica. Em seu ciclo, cai de volta à terra e irriga as paisagens, carreia partículas do solo e umedece a microfauna. Escoa pelos campos e alagam áreas, deixando matéria orgânica para que seja decomposta, carreia nutrientes, minerais e sementes para outras áreas, alimenta peixes e plantas aquáticas, penetram nos solos e lixivia nutrientes para as raízes, são filtradas pelo solo e chegam aos reservatórios subterrâneos, donde irão surgir como minas e nascentes, abastecendo rios e mares. Mas não observamos esses detalhes, construímos às margens de rios e impermeabilizamos os solos, quebramos encostas e criamos lixões, amontoamos nossos rejeitos nas sarjetas  para serem lavados, canalizamos rios para receber as impurezas deixadas nos asfaltos, despejamos esgotos, e torcemos para que ela seja breve e que não nos limite. 




As vezes não percebo que a mesma água que aqui cai, limitando as minhas atividades, são águas que já passaram por aqui, em algum momento passado. São águas que já bebi, e que poluí com minhas atividades, mas que se renovaram. Chegaram em gotículas puras e carrearam pós, plásticos, papeis e graxas, umedeceram e lavaram calçadas, diluíram fumos e gases que lancei na atmosfera, que alaga ruas e se abastece de lixo, os quais são lançados em rios e distribuídos por margens e leitos de rios, que penetra no solo cansado e lixivia óleos, graxas e "cidas", tintas e metais pesados, lixívia impurezas que ela não conhece, criadas pela sabedoria humana, que derruba encostas nuas, que desmatei. Essa chuva que cai agora, lava as impurezas da comodidade, causa danos à todo projeto natural em nome da Correção dos nossos excessos, do nosso descaso. Assim não, não tenho imagens das minhas atividades para postar, meus dias são preguicentos e cinzas, mas tenho o costume de observar, e gosto de ler nas entrelinhas, na simplicidade daquilo que ocorre. Que chova mais tantos dias quanto for preciso para garantir que a vida continue a existir, para que a terra se recomponha em sua luta, mas que tenhamos a consciência de que, é limitado esse ciclo e que talvez, não exista tempo hábil para que essa chuva se purifique em seus ciclos e que ela retorne assim, pois é a mesma água de todas as chuvas passadas, que construíram e permitiu a vida. Que retorne em novo ciclo e não seja ácida e desproporcional, que não venha varrer as impurezas mais letais da face da terra, que para a nossa compreensão, somos nós mesmos.