domingo, 27 de maio de 2012

As cidades e a biodiversidade.


Com a cultura da exploração do meio para o consumo e do comodismo, as cidades se tornaram espaços artificias em meio a um grande ambiente natural. Mesmo  artificiai, são meio ambientes ecológicos  com o diferencial de serem adaptados para as necessidades da sociedade, moldadas a partir das exigências habitacionais, de locomoção, de trabalho, de lazer e outras infinidades das quais julgamos essenciais.
Dentro do processo de urbanização, as modificações são pensadas  para atender as vontades do ser humano, modificamos estruturas naturais em nome do próprio conforto e do próprio bem estar. Mas até onde estas modificações são positivas? Modificamos as estruturas de rios e córregos para a captação de água e escoamento das águas pluviais- em alguns casos, até o esgotamento sanitário e industrial, modificamos a estrutura dos solos e do ar, exploramos os recursos naturais, modificamos a fauna e a flora, eliminamos espécies inofensivas e geramos lixo.
No meu entendimento, duas coisas precisam ser entendidas. As espécies são auto controláveis em um meio preservado, a retirada de uma espécie qualquer favorece a proliferação de outras espécies que não serão mais sujeitas ao controle, afetando a saúde do meio e sua existência. É uma tarefa quase que impossível refazer a flora e fauna em uma área urbanizada, e embora seja necessário, a eliminação química só prejudica mais, contribuindo para o surgimento de novas espécies mais resistentes e sem controle biológico.
A geração de lixo é uma das principais causas de doenças nas área urbanas, seja através da veiculação hídrica ou por meio de vetores. As áreas de depósito de lixo são verdadeiros criadouros de seres propagadores de doenças, uma estratégia de controle que não favoreceu nem os seres humanos e nem o meio ambiente, seja ele urbano ou natural. Assim continuamos controlando pragas por meio de “cidas” eliminando várias espécies e criando algumas outras cada vez mais resistentes.
Outro erro é a necessidade que temos de finalizar o “lixo” no solo. Temos tecnologia e conhecimentos suficientes para modificar a atual situação. Os exemplos estão descritos em estudos e, em na maioria dos casos,  funcionam. Falta vontade política e mobilização social, além de um pouco de humanização. Não é viável sermos cada vez mais dependentes de tecnologias que barateiam os custos de produção, é chegada a hora de pensar!
 52% do lixo gerado, em média, não é lixo. São sobras que fizeram parte da nossa alimentação, estiveram em nossas dispensas e nas geladeiras, se transformando em lixo pela manutenção de uma cultura de comodismo, compra-se aquilo que se quer e não se produz pois é comodo comprar, joga-se fora o que não serve mais por um capricho de “ comodidade e higiene” desmedido, quando há possibilidades de reaproveitamento ou reciclagem. Assim aconteceu com o “lixo seco” apesar de não haver incentivo para a cadeia produtiva, uma parcela deste já é visto como fonte de renda, e acreditem, apesar de haver muita discriminação quanto às cooperativas de reciclagem e de catadores, muitas pessoas sobrevivem da movimentação desta parcela do lixo, e em alguns casos, muito bem.
Um dos desafios de qualquer gestor público que queira solucionar os problemas do lixo é quebrar a consciência cultural da população que o lixo existe, de que praças e campos devem abrigar gramas e árvores exóticas, de que o lixo tende que ser finalizado em áreas distantes dos olhos das populações e distantes dos belos centros. Existe a necessidade de fomentar a criação de áreas verdes onde a biodiversidade natural possa ser restituída em sua totalidade, onde exista a possibilidade de melhoria das condições das áreas ao redor, onde os nutrientes do solo sejam devolvidos ao solo e de forma que gere trabalho e conhecimento, onde possa haver espaço para conscientização de jovens e adultos, que evolva a comunidade e o poder público de forma igual e em busca de um propósito único, que fomente a evolução da tecnologia e da educação que exista mercado para tais conhecimentos e que permitam um novo modelo que fomente a sustentabilidade ambiental.