quinta-feira, 31 de maio de 2012

Terra viva.

Mais relevante que a ideia de fazer algo em prol da natureza, é notar o que ela faz por nós. Quando consumimos aquilo o que desejamos, esquecemos que provém de algum lugar, basta ter o tempo e o dinheiro para que nossas vontades se realizem, mesmo que nunca alcancemos um teto, pois não há limites para a satisfação humana.
O maior problema, é que consideramos pouco os seres viventes. O solo por sua vez, aprendemos desde muito pequenos, que é um elemento não vivo da natureza, assim como a água e o ar. Plantas, animais, microrganismos, são os seres vivos, aqueles que estamos aprendendo a respeitar, mas a terra, o solo, ainda o temos como sinônimo de  sujeira, de terra mesmo, justo ele, que tudo provê.
Os solos já não são considerados como partes mortas da natureza, hoje já se considera os solos, assim como a água e o ar, elementos vivos devido à grande diversidade de vida que abriga. O solo é um ser vivo que morre aos poucos na desertificação das áreas urbanas, isolados de tudo e de todos, ou ornamentados como se fossem feios, sujos ou inúteis.
Com um pouco de paciência, os solos urbanos podem passar de simples elemento morto, para uma porção viva diversificada, abrigando belezas e frutificando, retribuindo as atenções que lhe dispensada. Gosto de dizer que o solo é uma mãe generosa, que doa aquilo que necessitamos sem que cobrar nada, além do amor, da compreensão. A terra é generosa, abriga um conjunto de seres que se alimentam de seu seio, se abrigam em seu leito. Assim diz-se que da terra viemos e para a terra iremos voltar, ao seio da terra para nova reconstrução, em novas épocas, em novas vidas. É a regra dos ciclos, somos eternos enquanto eterna for a força que gera a vida, enquanto permitirmos que a vida renove a vida, seremos eternos enquanto houver vida.
Não me importa as possibilidades presentes, aquilo que agrego em uma estadia tão curta, mas as conjunções que se fazem durante as minhas vidas, as minhas passagens pelo seio da minha mãe terra. Importa-me deixar um abraço seguro para meu repouso, que eu descanse a velhice da minha armadura em um berço fértil que me transformará, em nova inocência, para brincar nos campos e provar dos sabores da infância, por todos os séculos, em quanto houver a vida. Que me alimente enquanto eu for vivo e que eu retribua em meu descanso, alimentando o milagre do ressurgimento, o milagre da renovação. Evolui a vida nos ciclos da natureza, na complexidade da criação, assim deve ser, assim quero que seja.
Solo encontrado no início.
Insetos surgem.
Florescem as plantas.
Diversifica-se a vida.
Em cada lugar.
Surgem flores nativas.
A vegetação muda.

O solo se reforma.
Cria vida nova.
Só porque acabei com um pouquinho do lixo.
Ah, se todos compreendessem, que somos terra e que a Terra sempre será nós!