segunda-feira, 14 de maio de 2012

Como pensamos!

Uma das alternativas pensadas para atrair a atenção do nosso público está baseado em uma lógica da cultura contemporânea. Poucas são as atividades que apresentam algum retorno, em forma de disseminação, quando não oferecem uma forma de retorno palpável às pessoas atendidas. É a lógica do individualismo, algo só é bom para a sociedade quando consegue trazer algum benefício individual para cada agente atendido. Assim, as ações que privilegiam o bem estar social são suprimidas pelas oportunidades individuais que oferecem,  muitas delas já nascem fadadas à morosidade, à ineficácia, ao conformismo do "não vai dar certo".
Assim entendemos que as nossas atividades são facultativas ao acompanhamento do público alvo, buscamos focar nossas ações no desenvolvimento da curiosidade, da percepção dos benefícios passivos de modificar alguns aspectos da realidade assistida.
É comum que as pessoas se tornem atraídas por atividades que lhes agreguem algum valor perante a comunidade onde convive. Nas periferias, as oportunidades são formadas a partir das possibilidades de aquisição de bens, de status, de benefícios. Não que exista a razão do sangue ruim- em minha opinião, as pessoas são formadas a partir das experiencias assistidas, das visualizações espelhadas em seu cotidiano- mas a formação do indivíduo social nas periferias é fruto da desassistência, muitos dos nossos jovens são levados ao trabalho exploratório, à informalidade, ao abandono do estudo, aos vícios sociais como álcool e tabagismo, ao furto, ao vício em drogas, à prostituição e muitos outros caminhos que não condizem com a realidade disseminada, nossos jovens espelham a realidade social da grande parcela da população pobre, tendo sua rebeldia voltada ao protesto, quando é passiva à criação e a reestruturação social.
Assim sendo, uma das alternativas seria mudar o comportamento dos mecanismos de promoção do status da nova geração, dar  à ela uma nova perspectiva, a de proporcionar o bem estar das pessoas com quem elas convivem. Fomentar a formação de grupos que tenham prazer em doar o seu tempo para a construção de um novo modelo de relacionamento, através da terra, dos elementos essenciais a ela, da promoção, recuperação e preservação dos ciclos da vida.
Assim sendo, procuramos mostrar que não há um custo financeiro capaz de proporcionar a felicidade de um indivíduo quando este se torna consciente, as coisas boas da vida são disponibilizadas pelos meios físicos, químicos e biológicos e suas associações, ocorridas interna e externamente ao sujeito, através da sua interação individual em prol do conjunto, aquele que compreende, emoções, sustento, trabalho e cooperação.




Nessa perspectiva, a área está sendo transformada em um espaço de participação, ocorrendo algumas poucas visitas no decorrer das nove semanas de atividade, mas a participação é voltada ao entendimento das transformações ocorridas, dos "por que" visualizados, seja em cada germinação, em cada movimentação do solo, da existência de mato nos locais antes arenosos e considerados limpos, da importância de estar acontecendo tudo aquilo. Assim, as perguntas vão gerando respostas, o que não deixa de ser uma grata recompensa!