segunda-feira, 21 de maio de 2012

Interação e interligação

Para que uma proposta de conscientização seja, no mínimo, eficiente, é necessário que seja elaborada a partir de cronogramas que permitam a sua funcionalidade e sua continuidade. Mais importante que a divulgação promocional ou a introdução de recursos financeiros elevados, constituir uma estrutura perante a união de atores passivos de interagir entre si e de interligar uma infinidade de conhecimentos ocorrentes em uma comunidade nos permite evoluir no desenvolvimento de um objetivo maior. Em contra partida, a expectativa de obtenção de resultados à curto prazo desestimula a continuidade das atividades, onde os resultados imediatos só acontecem de forma fictícia, e as possibilidades são nulas.
Umas das frases mais ouvidas desde que iniciei as atividades de forma atuante é "isso não dá certo", alguns pontos ocorridos e que ainda ocorrem são baseados nos artifícios da deficiência de um sistema educacional- do qual não conheço nada, mas como pai, já pude perceber- voltado ao presencialismo, tanto da parte dos alunos como dos educadores. Não que seja uma deficiência provocada, mas negligenciada durante os processos de socialização para o consumo e a obtenção de renda.
Permitir que as instituições de ensino sejam sucateadas pelo conformismo dos professores e pelo comodismo da sociedade e dos demais atores, principalmente dos alunos, e desinteresse dos organismos públicos, só contribui para que as coisas piorem. Enquanto são maquiados os resultados do ensino, os futuros professores e demais profissionais são limitados e limitadas são as possibilidades de disseminação de conhecimento em épocas futuras.
Como 6ª economia mundial, deveríamos estar negociando mais do que nossos recursos naturais, tecnologias compatíveis com as nossas possibilidades agrícolas e agropecuárias, nossas possibilidades energéticas, nossas possibilidades ecológicas. Um dos maiores bens de um povo é o seu conhecimento, a sua capacidade de desenvolver tecnologias para o bem do próprio povo, o que nos vem sendo negado.
Uma sociedade sustentável não é aquela que não consome, mas uma sociedade que consome de forma consciente e que tem a capacidade de manipular o meio de forma que este seja fonte de recursos para o mesmo consumo. Além de ser necessário a redução do consumo no atual sistema de exploração, mais importante é a criação de uma nova forma de utilização dos recursos na manufatura dos produtos para o consumo, novas tecnologias, novos materiais e novas formas de utilização.




O "lixo" produzido pelas populações já é reconhecido como forma de renda e geração de empregos através das cooperativas, além de serem em grande parte, mal exploradas as possibilidades de real inclusão social, mas falta a educação para alavancar novas possibilidades, faltam conhecimentos e vontade de solucionar problemas, faltam mecanismos para que as escolas, pais e comunidade se unam para desenvolver projetos que contribuam com as necessidades locais, dentro das características sociais, econômicas e culturais de cada realidade, descentralizando as atividades formuladas por estatísticas de amostragem, por avaliações superficiais e por uma minoria que acredita saber o que dará certo. Interligam-se as necessidades atuais e as interações ocorrem de forma descentralizadas, divididos os recursos entre secretarias que tratam de um mesmo problema, mas de forma isolada e particionada, sem foco, aumentando o custo e diminuindo resultados. Assim é possível que exista uma nova forma de pensar do homem, voltado para a humanização dos processos de socialização dos povos, que permita uma nova postura que integre conhecimentos acadêmicos e vivências, que se interliguem as ações e permitam uma interação construtiva do homem no modelo social atual para um futuro melhor.