terça-feira, 17 de julho de 2012

Terra-estamos conjunto?

Tem algo que ainda não aprendemos, a noção básica de integração e de participação. Para muitos, pode parecer sinônimos, mas a integração predispõe a estar conjunto, fazer parte de um todo, já a participação parece mais com acesso, acessar o conjunto. (Como leigo, ainda não encontrei uma definição para participação).
Assim participamos de Terra com a consciência de um conjunto unitário, onde somos, individualmente, os seres mais importantes da Terra, damos então o acesso à ela, que participa da nossa existência.
Compreender essa diferença- se é que eu não estou errado- é fundamental para uma nova postura humana, pois somos parte de um conjunto integrado, não participamos da existência da Terra, assim como a Terra não participa da nossa existência, mas somos um conjunto único, integrado e indissolúvel.
Assim compreendo que somos duas matérias em um complexo sistema, que permitem a vida na Terra, um conjunto orgânico que se combina, se transforma e se decompõem, em ciclos de elementos e compostos, e um conjunto de energias, que são da mesma forma cíclicas, no nascimento e na morte da criação.
Quando optamos por participar do Conjunto Terra, optamos por ter acesso a sua benevolência, mas não nos deixamos estar integrados, quando decidimos quais dos constituintes nos são necessários.
Como trabalho com o "lixo", trabalho com um aspecto curioso do senso de NECESSIDADE, quando a necessidade é proporcional à vontade. Temos as vontades que nos direcionam às aquisições, nossas necessidades são proporcionais aos caminhos dessas aquisições. É um caso comum, o problema do desperdício. Mesmo que a fome nos assole, a classificação das nossas necessidades são proporcionais a disponibilidade de alimentos que recebemos, quanto maior a quantidade, maior será a classificação da necessidade de acordo com a nossa vontade. Muito do que jogamos fora não é digno em nossa ação classificatória e os caminhos para sua obtenção causam influência nessa classificação. Mesmo na pobreza, a fartura cria "lixo", um "lixo" rico em vida que deviria estar integrado à vida, mas que se perde na nossa classificação de necessidade/vontade.
 A integração pressupõe estar conjunto, favorecendo a essência da vida em cada possibilidade. Interagir com as possibilidades de utilização do meio através da valorização dos seus constituintes. Tudo há de ter uma utilidade, há de ser mais do que as nossas vontades e nossas vaidades. Olhamos muito com olhos críticos ao desperdício, mas somos sempre, classificadores pelas nossas vontades, criticamos nossa própria cultura individual. Somos apenas participantes de um conjunto, aquele que tem acesso sem se compromissar. Não há integração quando decidimos quais são as necessidades que nos apetecem, quando buscamos termos para a perfeição, porque já nascemos perfeitos, na inocência da energia vital e de todo o conjunto Terra, prontos para a integração.