terça-feira, 10 de julho de 2012

Ensinando a cooperação.

Que existe a possibilidade de mudar a realidade da atual sociedade, através de uma nova ótica do meio físico e do conjunto da sua constituição, é fato. Os caminhos necessários para que se concretize tais atitudes, aí sim, temos uma incógnita.
 Há uma pendência lógica à ser resolvida, quanto a divisão existente nas diversas ideologias sociais que emperram o andar de muitas possibilidades, reduzindo oportunidades de avaliação.
  Por menor que sejam os resultados alcançados em propostas voltadas para a prática da sustentabilidade sócio-ambiental, resultados positivos são sempre favoráveis, são esperanças que não podem figurar em relatórios finais de projetos apenas. Retratos da descontinuidade são manipulados à cada necessidade promocional, mas na prática, morrem as atitudes nascidas da pregação dos conceitos.
Não é o fator financeiro que emperra atitudes, dá-se-a alimento para o solo e ele se desenvolverá naturalmente, surgirá vida da matéria morta e alheia aos custos dos conceitos humanos. Poucas folhas secas bastam para que os atores naturais desempenhem seus papeis. É um complexo funcional livre, solidário e auto-construtivo. Já o complexo social humano é mediado por ideologias diversas, as quais as ações nascem dependentes de critérios de avaliação de exclusão. Há a certeza de que não dará certo pela por algum conceito ideológico enraizado, nasce condenado à paralisação devido aos problemas que há de causar por motivo de outra ideologia limitadora, se arrasta nas poucas certezas da contabilidade produtiva, e aí dão frutos, mínimos na morosidade do reconhecimento, mas dão frutos, e seus frutos se multiplicam, modificam solo, ar, paisagem. Mas dão frutos, que atraem olhares, que atraem sorrisos, que atraem ações. A Terra viva dá frutos, independente de ideologias, independente dos recursos financeiros que lhes possam ser investidos. Porém, naturalmente, tudo acontece ao seu tempo, há um calendário natural para a multiplicação da vida, para a recomposição das forças vitais da Terra.
Não pode haver conceitos que defenda a produção para aquisição de parte daquilo que se produz, que limite essa aquisição ao conceito de necessário, que limite essa necessidade ao básico e que limite o básico ao custo financeiro investido. Alimentação, saúde, educação, segurança, esperança e amor, são básicos em sua totalidade, e isso é gratuito, não são contabilizados quando há vontade.
Há um problema sério de cooperação na sociedade humana, quem pode fazer é limitado aos preceitos da formulação de conceitos, aos estudos das causas humanas, quem quer fazer é limitado à mediação destes conceitos, na credibilidade funcional das ideologias adotadas. Não que seja correto que este ou aquele tenha razão, mas que exista cooperação para desenvolvimento de ambos os conceitos, que se possa unir conceitos e vontades e que nenhum destes se sobreponham, mas que produzam frutos, que se multipliquem.
Trabalho com crianças, com a terra e com seus frutos e não encontrei, em poucos momentos de interação, ideologias de exclusão. Todos são elementos que participam, à seu modo e possibilidade, somam potencialidades e controlam limitações. Nossos resultados têm sido mínimos, mas reais e existentes, nossa vontade variável mas persistente, nosso tempo curto, mas inetgral.
Assim ensino algumas crianças, em raros momentos, na confiança de que as sementes se multiplicarão, que as ações de hoje produzirão atitudes amanhã, mais fortes e em maior quantidade, na cooperação mútua, doando para a Terra o alimento que nos alimentará, doando o trabalho pelo trabalho que a Terra nos dá, com amor e com vontade. Somados os gastos, foram-se só as horas de suor de dores no corpo, mas que rendem ganhos inimagináveis.