sábado, 14 de julho de 2012

Participação popular- agentes diversos.

O que gosto na prática da conscientização é que podemos identificar o resíduo e criar mecanismos de reutilização, mesmo que o resultado não seja esteticamente bonito. Acredito na funcionalidade daquilo que penso, aproveitamento de materiais.
Muito do que jogamos fora vai ficar no meio, podendo demorar dezenas, centenas ou até milhares de anos para se decompor. Em seu estado natural de utilização, gera partículas que polui, pois que tenha vida sua útil  prolongada enquanto puder ser reaproveitada e evitando seu descarte. Borrachas de tatame que iriam para algum depósito, provavelmente descartados para o lixo posteriormente.

 Um pouco de imaginação, uns pedaços de arame, um alicate e falta de vergonha moldou uma caixa, talvez um recipiente, um cercadinho que poderia ter alguma finalidade de utilização na horta. Foi pensado e calculado no improviso e resultou nesse "troço", verde e desengonçado.
 Um pouco de terra, sobras da capinação e folhas secas que estavam esparramadas no quintal acabaram ganhando um local de repouso, o Professor Marcos ficou incumbido de arrumar as minhocas e criamos um minhocário, feio, torto , mas funcional. Conscientização é essa liberdade de pensamento, de compreensão de possibilidades sem a doutrina da beleza imposta pela sociedade.
 As ações por aqui estão se desenvolvendo da mesma forma, optamos por fazer por partes, por mostrar modificações e buscar o envolvimento dos demais atores da instituição. E funciona, de forma lenta e ao seu tempo. Fico feliz ao ver que, antes da minha chegada, alguém já esteve a frente das ações, rastelando folhas, irrigando as garrafas e os canteiros, cuidando das minhocas. Já há alguns processos que se notam, do envolvimento na mudança da área, até então obsoleta, sem utilidade.
 Por motivo das férias, a compostagem está parada, mas há sinais da ação humana. O teor de umidade está controlado e não há presença de mosquitos ou odores. Em breve teremos adubo para continuar as atividades e formar novos canteiros.
Como sou um pouco limitado, busco introduzir aquilo que é funcional, repito as experiências já realizadas na Instituição Vila da Infância. Realizamos um plantio de feijões que já apresentam suas folhas. Cada passo é importante e assim, decidimos ocupar a área em uma primeira atividade, onde serão realizadas obras para a introdução das disciplinas.
 Nossas verduras ainda são poucas, mas estão mudando a cor da paisagem. Há a possibilidade de introdução de novas atividades, das quais já estão em avaliação de projetos e nos proporcionarão agilidade e melhorias significativas.
 Estamos às vésperas da realização dos Jogos Regionais, onde seremos a cidade sede. Provavelmente, nossa escola será sede de alguma delegação, o que nos dará um pouco de visibilidade. Por esse motivo estamos lentos, mas aproveitei a tarde de hoje para semear dois novos canteiros, um de agrião e um segundo de alface. Também plantei algumas covas de pepinos. As sementes são doadas por amigos e conhecidos, sobras das suas hortas ou de hortas de terceiros, e são bem vindas.
Assim entendo a participação popular, pessoas anônimas que procuram ajudar nas atividades, pessoas compromissadas com a qualidade de vida da população se empenhando, pessoas buscando se inteirar das atividades, ainda que de forma discreta. Por isso não tenho pressa, as mudanças são semeadas, cultivadas e darão frutos ao seu tempo, cuido para que tenhamos frutos doces e saudáveis.